DUPLO SENTIDO


Eu acredito no perdão. No aprendizado.
Que amor seria, com Juiz e Condenado?
Orgulho e Ego deveriam ficar calados
pois nessa estrada tudo viaja em dois sentidos.
Transito duplo. Não sozinho, nem alternado:
Anda-se junto. De mão dada. Lado a lado.

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A LEVEZA


Onde mora essa leveza, afinal?
Onde essa paz que tanto procurei?
Complicações... comparações...
Em cada esquina é só um "não sei, não sei".


Eu sei que estou cansado.
A força custa caro e o tempo vai-se embora.
A vida, em gotas, fugirá com ele...
As vezes penso que é mesmo jogada fora.


Nada vejo além da bruma. Já não sinto a brisa.
As gotas fogem, coaguladas nesse dia ruim.
E mais um será amanhã... e qual o fim?
É uma luta abandonada. É hora de dormir.


Chega de tempestades em copos de água.
Embaça fácil o horizonte do final feliz.
Mas é só fechar os olhos, dar um passo para fora.
Um salto em direção da chuva... e então partir.



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O VERDADEIRO NOME



O nome certo da Felicidade?
Se esconde entre as palavras. Mas em vão.
Tem rimas fáceis: Recipocidade.
E tem sinônimo provável na Afeição.  

Também tem arte nas esperas doces,
Ou então nas noites – que deixam de ser tristes
Tendo na frase a Consideração.
É a gramática do apego e da ternura.

As vezes hipotizam ser loucura,
Mas quem se importa? Eu com certeza não.
Entrelinhas, escrevo: "Simplicidade".
Talvez a mais profunda descrição.

E com a Gentileza? Que bela locução!
O Apreço a faz sincera, atenciosa.
A forma é bem polida e cuidadosa,
Com a sintaxe da pura Admiração.

E veja o encanto pelos conteúdos,
A estrutura sólida da Estima...
Claro: nem sempre pode achar a rima,
Mas a mensagem conta mais que tudo.

É nesse dicionário do carinho,

No vocabulário onde se encontra o cafuné,
Que, as vezes, essa tal Felicidade
Começa a ter um nome de mulher.



BOM DIA


Mais uma noite passou, e converso com ela:
«Bom dia querida! O novo sol já bate na janela!»
E a gente aqui de novo, e tem assunto.
«Como é que pode?» as vezes me pergunto.
Será macumba? Encanto? Bruxaria?
É um sortilégio? Talvez feitiçaria?
Não sei explicar. Só sei que a cada dia
fico contente, e aumenta essa magia.

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QUANDO É AMOR


O amor não morre,
nem é assassinado.
Enfraquece se não alimentado.

O amor não some,
não muda de partido.
Não era amor se for substituido.

O amor é simples.
Sabe mudar de vida.
O amor, quando desiste, só se suicida.

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Davide (04/072015)

A PAREDE


Um brilho pela janela. Há uma luz além da grade.
Mas olhá-la não se pode: fica alta na parede.
A penumbra se divide, pela luminosidade,
numa cela que se mede com demais facilidade.

Lentamente, a mão mergulha dentro aquela claridade.
O que tem além da grade? A pergunta não procede.
Quando os peixes se debatem so se aperta mais a rede.
O sol nada no crepúsculo. A luzinha se despede.

O que é que nos impede? Qual a força que decide?
Qual impulso é necessário para que alguem revide?
Talvez haja água por perto, mas continuarei com sede.
Só por causa de uma grade...
...e esperando alguém que ajude?
Não. Nós não queremos piedade.

O que serve é outra coisa. Desejá-la é insanidade.
Tem nos livros, tenho lido... mas cadê na realidade?
O que temos, bem na frente, é só o frio de uma parede.
O que salva não se encontra. É um calor que não se pede.

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Davide (03-3-2015)