Um só Poder


«O amor não tem poder?»
Perguntava a alma ferida.

«Só tem um que posso ver.»
Respondia a entristecida.

«Fale! A gente quer saber!»
A curiosa retrucou.

«Está bem, eu vou dizer.
É algo simples. Vejam só…»

«Tirará nossos defeitos?»
A culpada interrompia.

«E nos poupará da dor?»
A medrosa sugeria.

A alma triste se virou:
«Nada disso. Eu ia dizer…»

«Não se escapa, eu sabia!»
«Não se foge do sofrer!»

«Parem de me interromper!
Vou falar do tal poder.

Cada alma é imperfeita.
Nós não merecemos nada.

Não por mérito há amor,
É uma oferta dedicada.

O resgate de uma alma:
Não deixá-la abandonada.»


NUM CANTO



Retire-se na calmaria dum canto.
De casa ou do espírito, que seja.


Esqueça a primavera dos encantos:
No fundo é um estacão que não se almeja. 

Que seja. Era só areia no vento. 
Quimeras no horizonte, além do tempo.  

Venha o verão. Venham noites de sono.
Que haja o outono e o inverno caia branco.

Que haja paz, ou aceitação sem pranto.
E templos com algo sagrado dentro. 

Que seja, então. Que passe sem retorno.
E o mundo fique longe desse canto.





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UniVerso


É um vácuo escuro, este:
Frio como a indiferença.
Nesse céu de ausência,
O que procuro?

Luzes apagadas por aqui.
Só vazio. Nada se encherga.
As estrelas devem ser criadas,
Nomeadas, descobertas.

Navegamos no improvável.
Desejamos, sem esperar,
Uma rota mais estável.


Pulsa algo... lá na frente.
Algo luminoso, frágil, leve.

Me aproximo: vejo (ou quero ver).
Algo brilha, ainda timidamente:
Estrelinha feito gente.


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