Perguntava a alma ferida.
«Só tem um que posso ver.»
Respondia a entristecida.
«Fale! A gente quer saber!»
A curiosa retrucou.
«Está bem, eu vou dizer.
É algo simples. Vejam só…»
«Tirará nossos defeitos?»
A culpada interrompia.
«E nos poupará da dor?»
A medrosa sugeria.
A alma triste se virou:
«Nada disso. Eu ia dizer…»
«Não se escapa, eu sabia!»
«Não se foge do sofrer!»
«Parem de me interromper!
Vou falar do tal poder.
Cada alma é imperfeita.
Nós não merecemos nada.
Não por mérito há amor,
É uma oferta dedicada.
O resgate de uma alma:
Não deixá-la abandonada.»