Um só Poder


«O amor não tem poder?»
Perguntava a alma ferida.

«Só tem um que posso ver.»
Respondia a entristecida.

«Fale! A gente quer saber!»
A curiosa retrucou.

«Está bem, eu vou dizer.
É algo simples. Vejam só…»

«Tirará nossos defeitos?»
A culpada interrompia.

«E nos poupará da dor?»
A medrosa sugeria.

A alma triste se virou:
«Nada disso. Eu ia dizer…»

«Não se escapa, eu sabia!»
«Não se foge do sofrer!»

«Parem de me interromper!
Vou falar do tal poder.

Cada alma é imperfeita.
Nós não merecemos nada.

Não por mérito há amor,
É uma oferta dedicada.

O resgate de uma alma:
Não deixá-la abandonada.»


NUM CANTO



Retire-se na calmaria dum canto.
De casa ou do espírito, que seja.


Esqueça a primavera dos encantos:
No fundo é um estacão que não se almeja. 

Que seja. Era só areia no vento. 
Quimeras no horizonte, além do tempo.  

Venha o verão. Venham noites de sono.
Que haja o outono e o inverno caia branco.

Que haja paz, ou aceitação sem pranto.
E templos com algo sagrado dentro. 

Que seja, então. Que passe sem retorno.
E o mundo fique longe desse canto.





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