A RESPOSTA


Ai, quantas palavras, hipóteses, suposições...
Os sentimentos se mostram com avaliações?

Desconfiamos, duvidamos, afastamos sem falar.
Esquecemos a resposta que precisaria escutar.

Do que vale conversar, explicar, justificar,
Se depois na frase falta sempre o verbo principal?

É aquela expressão que já se tornou banal,
A que então se subestima, que se fala por falar.

Logo aquela, a mais antiga, de valor emocional,
Que hoje lemos todo o dia... mas em algo comercial.

Porém, quanta paz daria, em noites como esta?
Sendo como deveria: vislumbrando uma promessa.

Que palavras de poder! Quase um sonho de infinito.
Um sussurro sufocado, mas que é forte como um grito.

Então, diz: por que o silêncio? Para que sair ferido,
Quando a voz do sentimento poderia me dar abrigo?


--- --- --- --- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (15-8-2010)

-

AS ONDAS


Mergulhando no oceano da memória
as vezes acho algo que me faz pensar:
uma ilha da qual desconheço a história,
um navio sem velas, que não pode navegar,
um simples marinheiro que uma onda levará,
um céu com aves brancas, que recusam-se a voar.
Olho ali e tem sereias... mas o canto não está.

Mergulhando em água escura, onde nada chegará,
quando nada faz sentido, quando lógica não há,
qual direito, que ousadia, esperar em se salvar!
Mergulhando então estava, sem mais nada desejar.
«Feche os olhos, venha o frio, não resista ao afundar...»
Lentamente, nessas ondas, faltou pouco eu me entregar.
Mas são ondas do passado, que não podem mais voltar.

--- --- --- --- --- --- --- --- --- --- --- ---

Le Onde

Immerso tra i flutti della memoria
trovo spesso qualcosa a cui pensare:
un’isola verde, ma ne ignoro la storia,
navi senza vele che non sanno navigare;
un marinaio, perso, che un’onda prenderà,
un cielo con gabbiani che rifiutan di volare.
In un angolo, sirene... ma il canto non si udrà.

Disperso in acque scure... salvarsi, che arroganza!
Mentre tutto perde senso, già privo di sostanza,
come osare continuare, anche solo galleggiare,
in un mare senza vento dove muore la speranza.
«Chiudi gli occhi, non nuotare, meglio lasciarsi andare...»
Era in onde come queste che rischiavo di affogare;

ma son onde del passato, che non possono tornare.

--- --- --- --- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (7-5-2010)

-

A FELICIDADE


Qual é a receita da felicidade?
Será que um dia irei encontrar?
É difícil chegar à simplicidade
pois a gente costuma complicar.

Egoísmo, dor, ciúme imotivado...
O mundo está doente de verdade,
e nós acostumamos. É um pecado.
Cansei-me enfim de ver futilidade.

«Não baixe a guarda, deve ter cuidado!»
Eu sei... eu já aprendi a me defender.
Mas como pesa esse escudo levantado.
Quanto é letal dever só sobreviver.

Um dia, quem dera, poder ser feliz;
as feridas se perdendo no passado.
E o futuro, num sussurro que te diz:
«sossega, alguém anda do teu lado.»

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (6-5-2010)

-

Sonhos no Deserto


As vezes reflito sobre os sentimentos...
aqueles que parecem só existir nos livros.
Os verdadeiros, não aqueles dos momentos;
os que motivam, que nos fazem sentir vivos.

As vezes penso, e tudo me parece tão difícil,
tudo se vai, tudo se esconde atrás de um dedo.
O que parecia claro, do nada fica frágil,
fica com medo e cala-se. Fecha-se em segredo.

Não sei como acontece, ainda não entendi.
Coisas que acho simples, já não são;
coisas que creio eternas, e talvez não...
não sei se tem sentido. Eu não vi.

E assim lutamos, erramos, lutamos...
fazemos isso porque acreditamos, certo?
E a luta continua, mesmo no escuro,
protegendo sonhos que gritam no deserto.

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (17-3-2010)

-

CHUVA


Como gosto da chuva, quando é noite,
quando tudo se vai, quando faz frio.
Quando nos vence um sentimento forte,
num mundo que parece tão vazio.

Logo ela está, a senhora de cristal,
discreta amiga nas horas da tristeza;
humilde e meiga irmã do vendaval,
com suas notas azuis, sua gentileza.

Eu sinto... sim, eu creio que se importe,
que abafe os sons por isso, e os sonhos meus.
Muda é a cidade: que o mundo se comporte!
Cale-se tudo... é a hora dos adeus.

E aí vem ela, o tambor da natureza,
lágrimas puras e voz de um canto antigo.
Ritmo de paz... batuca com leveza;
chora por mim, ou então chora comigo.


--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Pioggia

Magica la pioggia, quando è notte:
sulle foglie, sui pensieri, su ogni cosa.
Risuona come un sentimento forte,
e il mondo sembra se ne stia in attesa.

C'è solo lei, la signora di cristallo,
discreta amica in ore di tristezza.
Sui tetti e per le strade, in un ruscello,
tranquilla scorre via con l'amarezza.

Io sento... si, io credo che si importi,
lei che attutisce i suoni, e i sogni miei.
Muta, città: che il mondo la sopporti.
Tutto zittisca... è l’ora degli adii.

Per ora parla lei, canto leggero,
lacrime antiche e un ticchettio che freme.
Ritmo di pace... risuona lieve, fiero;

piange per me, o forse piange insieme.

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (8-11-2009)

-

MUSA


Me fale, oh musa das humanas gentes,
da força das palavras e do coração.

De armas, cavalheiros, de miséria e potentes,
dos gritos das batalhas, e das que são em vão.

Me conte então da arte, me cante da paixão:
me diga com suspiros que nunca morrerão.

Me mostre enfim o amor, e fale do perdão.
Me ensine o tudo e o nada... o impulso, e a razão.

--- --- --- --- ---

Musa

Parlami, oh musa delle antiche genti,
del potere che nasconde il cuore umano.

Di armi, cavalieri... di miseria e potenti,
di grida di battaglia, e di battaglie invano.

Mostrami l’arte, le passioni, ciò che fanno,
e dimmi, tra i sospiri, che mai moriranno.

Racconta poi l’amore, e perdona le persone.

Insegna il tutto e il niente... l’impulso e la ragione.

--- --- --- --- ---

Davide (9-10-2009)

-

MENINA E MULHER


É menina e mulher.
É alegria, é chorar.
É acertar sem saber
se é difícil pensar.

O que faz refletir,
ou me faz ficar bem.
Quem me ensina a sorrir
quando alegria não tem.

É lembrar duma estrada
que já tinha esquecido.
Enxergar a madrugada,
entre as sombras perdido.

--- --- --- --- ---

Davide (2-9-2009)

-

PEDRAS PRECIOSAS


A memória hoje me engana;
a lembrança é até querida.
Mas a lógica é tirana:
o que importa é só a ferida.

Assim vai-se embora o tempo,
nessa dúvida infinita,
condenado no seu limbo
como se não fosse vida.

E são pedras preciosas
que perdemos pela estrada.
Areia jogada ao vento,
ou então conto de fada.

É como se fosse um luto,
como não poder casar.
Uma árvore sem fruto
que nem flores vai me dar.

É uma terra sem bandeira
que ninguém conhecerá.
Uma ilha, uma fronteira,
que não vou mais procurar.

É um canto de sereia,
um navio sem direção.
É o que resta da maré
que levou a embarcação.

--- --- ---

Davide (21-8-2009)

-

O LOBO


O inverno passa e enfim libera o mundo.
O lobo quase não acreditava.
Olhou mais uma vez, respirou fundo.
O gelo, o vento e a neve: nada estava.

Agora o lobo anda e tem esperança.
Saiu das trevas: ficam na lembrança.
Não tem raiva mais, não... só tem piedade.
Saiu do tempo escuro da maldade.

E assim o lobo vai pela sua estrada.
A dor na sua memória é algo útil:
falsos mestres, Judas, gente fútil...
não briga mais, não quer saber de nada.

Não há ninguém no mundo que não falha.
Mas tem quem sobreviverá à batalha.

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

IL LUPO

L’inverno passa, e già libera il mondo.
Il lupo ormai neanche ci credeva:
si guardò intorno, poi respirò a fondo.
Il ghiaccio poco a poco si scioglieva.

Adesso il lupo cambia la sua storia;
le tenebre danzanti, e la memoria,
non danno rabbia ormai: solo pietà.
Non è più tempo d'odio e crudeltà.

E così, il lupo trova la speranza;
ricorda tutto, tutto è ancora utile:
falsi maestri, Giuda, gente futile…
non litiga ormai più, non ha importanza.

Non c’è nessuno al mondo che non sbaglia,
ma lotta e vincerai la tua battaglia.

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (1-2-2009)

-

O VAGABUNDO


Não seja triste assim, conceda-me um momento.
Feche os olhos, e escute, porque agora te conto
a história de um menino que fala com o vento...
confia-lhe os próprios sonhos, e o vento escuta atento.

Vivia atormentado, achava que era em vão.
Cresceu que nem um lobo e não sabia a razão.
Falava com a chuva, quando entristecido;
a chuva, sabe, escuta... chora, e cobre tudo.

Sentia-se incompleto. Seus dias eram sem cor.
Somente umas estrelas sabiam daquela dor.
E tão querida é a noite, quando você precisa;
o céu escuta sempre, não acusa e não critica.

Então, um belo dia, decide-se a partir.
Ninguém o entenderia, ninguém iria sorrir.
Buscava uma sereia, e pediu ajuda ao mar.
O mar antigo escuta, e sabe aconselhar.

Se olha no horizonte, talvez verá um navio,
e nele um vagabundo de coração vazio.
Dormia com a minha blusa, a que te dei outrora,
quem sabe se me escuta... cadê a sereia agora?

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Il Vagabondo

Non esser così triste, concedimi un momento;
brava, chiudi gli occhi… adesso ti racconto
la storia di qualcuno che parla con il vento.
Gli affida i sogni spesso, e il vento ascolta, attento.

Viveva tormentato dalla vita quotidiana,
vagava come un lupo, perché la gente è strana.
Parlava con la pioggia con l’animo distrutto;
la pioggia, sai, ti ascolta… piange… e copre tutto.

E quando lo sconforto prendeva il sopravvento
cercava le sue stelle, e resisteva a stento.
Perché cara è la notte, e il cielo, a chi ha bisogno.
Il cielo ascolta sempre, non critica il tuo sogno.

Ed alla fine, un giorno, decide di partire.
Nessuno lo capisce, o sa che cosa dire.
Lui cerca una sirena, e chiede aiuto al mare…
e il mare antico ascolta, e lo sa consigliare.

Se guardi all’orizzonte, magari c’è una nave,
con sopra un vagabondo dal cuore chiuso a chiave.
Chissà se dormi ancora con quella mia maglietta,

chissà se ancora ascolti… se la sirena aspetta.

--- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (21-1-2009)

-

MAIS UMA NOITE


Mais uma noite insone a meditar.
Mais um inverno, e alguém que não está.

Então, o que pensa? Hoje irá dizer?
Quantas perguntas que não vou fazer.

E o mundo gira e esquece dos amantes.
Nem sei se o meu sorriso é como antes.

Não me arrependo. Seja como for.
Afinal, tudo tem sido por amor.

As batalhas, os esforços para a gente,
as lutas silenciosas que não sente.

E sobre a calma: ela é só aparente.
Não quero que me lembre, ou me pergunte.

Mas mesmo assim, com todos tão feridos,
evito os bons conselhos. Não dou ouvidos.

A minha opinião, pelo que vale, é aquela:
pegar a mala... partir. Em busca dela.

--- --- --- --- --- --- --- --- --- ---

Un’Altra Notte

Un'altra notte di pensieri miei,
Un altro inverno, e tu che non ci sei.

Che cosa pensi? Oggi lo dirai?
Quante domande che non faccio mai.

E il mondo gira, sempre, e anche adesso.
Chissà se il mio sorriso è più lo stesso.

Ma non mi pento, e non porto rancore:
in fin dei conti, è stato tutto per amore.

Gli sforzi, le battaglie, i cambiamenti,
le lotte silenziose che non senti.

Quanto alla calma, be’... solo apparente.
Provo a dimenticare inutilmente.

So dar buoni consigli, di sicuro,
ma di ascoltarli proprio non mi curo.

Se ne volessi uno, ti direi:

Prendi i bagagli, parti... e va da lei.

--- --- --- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (31-10-2008)

-

ALMA TRIBAL


Quem pode dizer, antes de dançar,
se tem a coragem de quem já dançou?

Passos em círculo, o engano no olhar,
os olhos são lâminas... já começou!

As feras se estudam, a dança é brutal,
arma na mão e alma tribal,

malvada beleza, estratégia letal,
a dança é antiga, não tem nada igual.

De repente, uma linha vermelha no ar.
O círculo para: silêncio mortal.

Alguém na poeira, acabou de lutar,
deitado, sangrento... mas isto é normal.

É história de índio, de areia e ilhas,
um mundo selvagem, cheio de armadilhas

um mundo de longe, também colonial,
de rara beleza... beleza fatal.

--- --- --- --- --- --- --- ---

ANIMA TRIBALE

Chi mai può dire, prima della danza,
di avere il coraggio di chi ha già danzato?

Passi in circolo, l’inganno negli occhi,
sguardi come lame… è già cominciato!

Fiere che si studiano, danza brutale,
armi alla mano e anima tribale,

crudele bellezza e strategie letali,
la danza è antica e non ha certo eguali.

D’improvviso, una linea cremisi… cruciale.
Il giro si ferma: silenzio mortale.

Qualcuno è caduto, non può più lottare,
disteso nel sangue… ma questo è normale.

È storia di indios, di isole e spiagge
un mondo feroce di lotte selvagge;

un mondo lontano, d’era coloniale,
di rara bellezza… bellezza fatale.

--- --- --- --- --- --- --- ---

Davide (4-8- 2006 - Rio)

-

O SILÊNCIO


Finalmente o silêncio... livre do dia a dia,
O olhar fixo se perde na baía.
Entre o azul do céu e o mar antigo
Terá, quem sabe, um lugar amigo.

Uma ilha verde ou uma fronteira,
Terra sem nome e sem bandeira.

Um porto seguro, sem historia,
Onde é mais leve a memória.
Para poder recomeçar,
Sem a vergonha de sonhar.

--- --- --- --- --- --- ---

Il Silenzio

Finalmente il silenzio... libero dal quotidiano,
Lo sguardo fisso si perde lontano.
Tra il muto cielo ed il mare antico
Pur ci sarà un orizzonte amico.

Un'isoletta o una frontiera,
Priva di nome e di bandiera.

Un porto sicuro, senza storia,
Dove non pesa la memoria.
Dove poter ricominciare,
Senza vergogna di sognare.

--- --- --- --- --- --- ---

The Silence

Finally the silence... free from day by day,
The gaze is safely lost in the bay.
Between the blue sky and the ancient sea
Maybe you have a friend place.
 
A green island or a boundary,
A land with no flag, no name.
 
A safe port without history,
To forget the memories.
In order to start again,
Having no shame to dream.

--- --- --- --- --- --- ---


Davide (8-6-2006)

-